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Brasil, 19 de Setembro de 2014
  

Cattleya intermedia R. Graham

 
Por Aldomar E. Sander 
 


 Histórico:

  Supõe-se que a espécie era conhecida e certamente alvo de admiração e talvez até de incipiente cultivo em nosso País, desde muito tempo antes de sua classificação sistemática, porém tratava-se apenas uma orquídea, sem nome e sem registro botânico, portanto totalmente desconhecida do ponto de vista científico. Sua descoberta desencadeou-se no ano de 1824, quando o Capitão R Graham, a serviço do Royal Packed Service no Rio de Janeiro, tendo adquirido alguns exemplares de Mr. Robinson, um provável colecionador local, remeteu-as ao Jardim Botânico de Kent, em Glasgow, na Escócia, onde vieram a florir pela primeira vez em 1826. Dois anos mais tarde, em 1828, o renomado botânico William Jackson Hooker descreveu-a no Botanical Register, Vol. 2-2 st 2851, batizando-a Cattleya intermedia R. Graham. Cattleya por enquadrar-se nesse gênero, criado por Lindley alguns anos antes, em 1824, em homenagem ao famoso colecionador e patrono da atividade botânica Mr.William Cattley, para designar um gênero de orquídeas epífitas, nativas da América tropical, relacionadas com Epidendrum, Laelia e Brassavokt Já a denominação da espécie como intermedia deu-se em razão de sua floração ocorrer entre a das duas espécies de Cattleya conhecidas na época: C. labiata e a C. Loddigesii.


 Posteriormente outros exemplares foram enviados à Europa e, como se tratava de espécie de descoberta e descrição recentes, recebeu outras denominações, tais como: C. ovata hort., C. amabilis hort., C. amethystina Morr, C. candida Hort., C. Loddigesii Ldl., var. amethystina hort., Epidendrum intermedium Rchb. f, abandonados após a constatação de que todos se referiam à Cattleya intermedia já classificada.


  CLASSICAÇÃO TAXIONÔMICA:

  Segundo o sistema adotado por Garay, a Cattleya intermedia Graham é classificada na Divisão Angiorpermea, Classe Monocotiledonae, Ordem Orchidales, Família Orchidaceae, Subfamília Epidendroideae, Tribu Epidendreae, Subtribu Laeliineae, Alliance Epidendrum, Gênero Cattleya, Secção Cattleyoides, Espécie intemedia.

  Aspectos morfológicos: A Cattleya intermedia Graham possue pseudobulbos cilíndricos, robustos, alongados, pluri-articulados, com cêrca de 12” de altura, dífilos no ápice; as folhas são carnoso-coriáceas, oblongas, obtusas, oblíquo-emarginadas, rígidas, com até 6” de comprimento e 2” de largura; inflorescência ereta com hastes médias, ostentando de 3 a 7 flores, com diâmetro em tomo de 5”, de aroma delicado e agradável, excelente textura, o que lhes confere grande durabilidade, boa variabilidade de coloridos, sendo que a típica apresenta pétalas e sépalas de tonalidade rosa-pálido, labelo trilobado de forte colorido magenta-rosado no lobo frontal e os lobos laterais de colorido rosa-esbranquiçado, envolvendo total ou parcialmente a coluna; as pétalas e sépalas são oblongas, obtusas, com bordas laterais frequentemente onduladas em suas margens e o labelo com lobos laterais sem cortes e lobo frontal arredondado com as bordas mais ou menos crespas. Floresce do final do inverno aos meados da primavera.

  Habitat: O gênero Cattleya agrupa acima de 60 espécies entre unifoliadas e bifoliadas, inúmeras variedades e formas e muitos milhares de híbridos naturais e artificialmente produzidos, constituindo-se na presença dominante nos cultivos contemporâneos, seja nos de colecionadores amadores ou de produtores comerciais em qualquer parte do mundo.
 As espécies de Cattleya habitam o continente americano com dois centros de disseminação: a América Equatorial na região andina no norte e oeste da América do Sul e outra mais extensa, na região costeira do Brasil. Populações mais reduzidas do gênero ocorrem no México, América Central, Panamá e Trinidad. O habitat da Cattleya intermedia, foco central deste trabalho, à época as primeiras expedições científicas integradas por naturalistas e ilustradores das mais diversas nacionalidades, ao final do século 19 e início do século 20, era constituído por uma estreita faixa do litoral brasileiro, abrangendo, no extremo sul, uma vasta área na sua maior parte alagadiça conhecida como Baixada Sul-Riograndense, margeando, em ambos os lados, os grandes lagos que formam o denominado Mar de Dentro, integrado pelas lagoas Mirim, Hermenegildo, Mangueira, dos Patos, Guaíba, do Casamento, Palmares, Quadros, Pinguela, Malva, Barros, Itapeva além de outras de menor porte. A partir do município de Osório, no Rio Grande do Sul, as vertentes da Serra do Mar se aproximam da orla atlântica ocasionando um estreitamento do habitat que se estende, com essa forma, até o limite norte de sua área de ocupação, há quase 2.000 km. do limite sul, conhecida como a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, incluindo, no seu curso, os litorais catarinense e paulista. Estranhamente o litoral paranaense não foi povoado pela espécie, fato também constatado com a Laelia purpurata Lindley que não foi encontrada no trecho litorâneo que vai de Piçarras, no litoral catarinense até Iguapé, no sul paulista, o que se constitui, no mínimo, numa intrigante curiosidade.
  Embora a largura da faixa litorânea a que nos referimos, a partir do município de Osório, onde os contrafortes da Serra do Mar se aproximam da orla atlântica, raramente ultrapasse os 25 km. também nesse aspecto houve algumas exceções: no Rio Grande do Sul, bem longe do litoral ocorreram núcleos isolados comumente ao longo dos cursos d'água, como nos estuários dos rios que formam o Lago do Guaíba, alguns dos quais tem suas nascentes próximas ou dentro do habita No Guaíba, frente à Capital do Estado, as ilhas eram literalmente cobertas de grandes figueiras bravas, corticeiras, branquilhos, maricás e outras árvores que lhe servem de hospedeiras, as quais eram densamente povoadas de C.intermedia e C. Leopoldii, originando-se daí o nome de uma de suas mais belas ilhas: a das Flores.


 Igualmente, ao longo das bacias dos afluentes do Guaíba, como o Gravataí, Sinos, Caí, Taquarí e Jacuí e dos tributários destes como o Rio Pardo e outros, que integram as mencionadas bacias, foram assinaladas populações por vezes expressivas da espécie, principalmente nos municípios de Santo Antônio da Patrulha, Gravataí, Taquara, Sapiranga, Montenegro, Caí, Taquari, Rio Pardo, Passo do Sobrado, Triunfo, General Câmara e muitos outros. A explicação mais plausível para desenvolvimento desses nichos é a de que, pela ação do ventos dominantes no litoral riograndense, que sopram dos quadrantes leste e nordeste, do oceano para o continente e das constantes migrações das aves aquáticas, tanto as sementes como os miscélios do Rhizoctonia (microorganismo endófito que, por meio de atividade simbiótica, provê a primeira fase da vida dos protocormos recém germinados), foram, através de séculos, conduzidos pelos vales formados pelos cursos d'água, até criarem mecanismos de adaptação às novas condições e formarem os núcleos isolados a que nos referimos. Diga-se de passagem que, tratando-se de adaptabilidade, estamos convictos de que a C. intermedia é uma campeã, senão vejamos:
compare-se as condições climáticas a que ela está submetida no extremo sul do seu habitat, abaixo do Paralelo 32, onde as temperaturas chegam próximas a zero graus centígrados e fica permanentemente exposta aos ventos gelados que sopram a partir da Patagônia associadas ao escasso nível de insolação durante quase todo o inverno, com as condições a que está submetida no extremo norte do habitat, com suas temperaturas próximas a 40 graus aliadas aos índices de luminosidade sempre elevados.

 Retornando ao assunto dos núcleos populacionais isolados e distantes do habitat, acrescentamos que alguns dos clones mais importantes e premiados nas exposições realizadas na segunda metade do século passado foram encontrados naqueles locais tais como: tipo Costa da Serra, as flammeas Joãosinho, Juvêncio, Cinamomo, as três Ophelias, as marginatas Benderi I e II, punctata Sardenta, caerulea Paulo Hoppe, tipo Santo Antônio, tipo Caeté, para citar apenas algumas.
Também neste aspecto, vem-nos à memória, que situação idêntica ocorreu com a Laelia pupurata, que ultrapassou os limites normais do seu habitat, adentrando no continente por cerca de 50 km. numa localidade denominada Entrepelados, alusão a dois monos próximos, ambos com os cumes pelados pelos desmatamentos, entre os municípios de Santo Antônio da Patrulha e Taquara, onde foram encontradas e colhidas, no ano de 1940, pelo orquidófilo Albino Kassel, algumas plantas que vieram a se tomar icones da espécie e campeãs das exposições por décadas, nada mais nada menos que a Sangüinea Mentzii, as duas ou mais dezenas das escuras Kassel, entre elas a flammea Kassel 44, a Magnífica, a flammea-atro Lothario, além da russeliana Delicata, que anos mais tarde viria a ser usada exaustivamente como planta-mãe em um grande número de cruzamentos, inclusive pelo extraordinário hibridista Rolf Altemburg, de grata memória, pioneiro e inspirador de diversas gerações.


  Além desse, outro reduto há uns 50 km. ao sul do que era considerada o limite de sua área de ocupação, durante uma coleta de C. intermedia, foi encontrado outro nicho de purpuratas, numa reduzida área de algumas dezenas de hectares, na localidade de Barrocadas, crescendo inclusive sobre moirões de cerca e esteios de currais, onde foram coletados alguns clones que viriam a ser famosos, tais como: as semi-alba Barrocadas e Chaves, as roxo-bispo Queimada, Formosa e Formosinha, todas de floração natalina, como as da região de Entrepelados.


  Voltando ao habitat da C. intermedia, há registros de sua presença, também, nos territórios uruguaio e paraguaio. No primeiro, nos Departamentos de Treinta y Três e Rochas, foram encontrados nichos bastante significativos na margem oriental da Lagoa Mirim, com densidade populacional similar aos constatados nos municípios de Arroio Grande e na área entre as Lagoas Mangueira e Mirim no território brasileiro. Já no Paraguai as áreas ocupadas e a densidade populacional era bem menor e limitava-se à região sudeste do País, ao longo da divisa com o Brasil, na região de Foz do Iguaçu.


 O eminente naturalista Dr. Manuel Pio Corrêa, em sua extraordinária obra Dicionário das Plantas úteis do Brasil, volume II, pág. 147, registra que o habitat da Cattleya intermedia se estendia até os estados da Bahia e Minas Gerais. Supomos que sua semelhança com a Cattleya amethystoglossa Lindl. possa tê-lo induzido a fazer aquele registro, já que inexistem referências de outros estudiosos sobre o assufito. Seus hospedeiros, já pela grande diversidade da cobertura vegetal em cada região por ela povoada no curso de seu extenso habitat, são os mais diversos, desde as gigantescas Figueiras do Campo até arbustos de médio porte. No decorrer dos anos em que acompanhamos orquidófilos de outros estados e de outros países às matas, desde o município de Santa Vitória do Palmar até as regiões do litoral norte do Rio Grande do Sul, achamo-la vegetando sobre os mais diferentes hospedeiros como Maricás e Unhas-de-gato no Banhado Chico Loman, ou sobre os cactos conhecidos popularmente com Arumbévas, no Mono Grande, ambos em Santo Antônio da Patrulha-RS. O Butiazeiro-da-praia (Cocus australis Mart, encontrado em toda a extensão dos litorais gaúcho e catarinense constituía-se, quando ainda existia em profusão, em extraordinário hospedeiro, pois apresentava certo grau de dificuldade aos coletadores para chegarem próximos à copa, tanto pelo tronco liso como pela sua altura, já que se tratava de plantas centenárias, hoje quase extintas. No Rio Grande do Sul e no sul de Santa Catarina suas hospedeiras preferenciais, sem sombra de dúvidas, são as Corticeiras e as Figueiras-do-Campo. Seja qual for o hospedeiro, ela sempre será encontrada instalada numa posição bem arejada e ensolarada e com sua maior densidade populacional na face leste dos capões de mata. Essa preferência pelo sol nascente faz com que também nos orquidários devemos proporcionar-lhe essa posição, cuidando que também o arejamento seja generoso, como veremos mais adiante no capítulo dedicado ao cultivo e manejo. As altitudes de sua preferência estão entre o nível do mar e 50 m, o que não impede, contudo, que tenha, nos nichos extra- habitat, se adaptado perfeitamente a maiores altitudes, desde que não ultrapassem a 300 m, quando já começará a exigir proteção nas épocas mais frias, ainda que não as exija quando no seu habitat original, durante o rigoroso inverno do sul.


  Habitat - Destruição Iminente: Acreditamos que dentro de alguns anos teremos o que resta da Cattleya intermedia na natureza, confinado às reservas ecológicas, como a do Taim ou naquelas mantidas por alguns proprietários mais esclarecidos sobre a importância da preservação dos biomas para o ambiente como um todo. Contudo, a necessidade da crescente produção de alimentos, notadamente cereais como o arroz irrigado, um dos mais consumidos em todo o mundo, cuja cultura exige terras baixas, planas e alagadiças como as que abrigam os remanescentes dos hospedeiros naturais da espécie, fazem com estes cedam espaço para as grandes barragens destinadas à irrigação além, naturalmente, de ampliar as fronteiras para a expansão da própria cultura, como vem acontecendo em toda a metade sul do Rio Grande do Sul.


  O segundo maior vilão na destruição do habitat é o fogo, acidental ou criminosamente proposital, como ocorre periódicamente na própria Reserva Ecológica do Taím, destruindo não só a flora e com ela as orquídeas e bromélias como também a fauna que aí vive e se reproduz incluindo espécies em processo de extinção como o cisne-do-pescoço-negro, jacaré-do-papo-amarelo, diversas espécies de tatus já raras e quase uma centena de outras aves, mamíferos e répteis severamente ameaçados.


  Por último, contribuindo em menor escala, vem a atividade predatória, tanto no que respeita à flora como à fauna, quase sempre para a venda em beira de estrada das orquídeas toscamente instaladas numa rodela de coqueiro grosseiramente escavada, ou de forma mais sorrateira, comercializando filhotes peles e a carne de animais silvestres. No que respeita aos orquidófilos, após vinte ou mais anos em incursões pelos habitats tanto da C. intermedia como nos de C. leopoldii e L. purpurata, confesso não ter presenciado em momento algum a colheita indiscriminada de plantas, a não ser em casos onde houveram alagamentos de grandes áreas em conseqüência da construção de represas e a apanha das orquídeas era feita indistintamente na maior parte das vezes com o uso de canoas para poder chegar às copas ou o que restava delas fora das águas. Pessoalmente participamos de uma dessas colheitas com nosso grande amigo Heitor Gloeden, companheiro de diversas incursões aos habitats, numa das matas em que os padrões das plantas eram superiores, na média, às de qualquer outra área de nosso conhecimento.


 A reserva, denôminada de mato das pétalas largas, de propriedade de um raro amigo, o Sr. Manoel Fuão de Miranda, o “seu” Neco, que mais adiante será citado novamente e que nos avisou da construção da referida represa em sua fazenda, justamente na área das pétalas largas, porém não em tempo hábil para que salvássemos uma quantidade maior de exemplares. Essa colheita destinou-se totalmente para a Chácara Cuité, do Gloeden, e revelou nos anos seguintes algumas boas surpresas. Particularmente em tantos anos participando de caçadas de espécimens raros com os nossos amigos Carlos Waldemar Pahl, Selivio Hermann e Amo Lange e, esporadicamente meu pai, todos extintos, não colhemos, juntos, mais de duas dezenas de plantas entre elas destaque para duas intermédias tipo de pétalas largas uma das quais usada anos depois por Ewaldo Wenzel em cruzamento com a Punctata “do Tenente”, que veio originar, entre outras a Tipo “Quantum”, e anos depois outra tipo, encontrada pelo meu pai, inicialmente apelidada por ele de Costa da Lagoa e mais tarde após sua morte, renomeada, em sua homenagem “Memória Osvaldo Sander” usada em cruzamento com a Pseudo-tipo “Kurt”, nosso número 5-004, cuja progênie, segundo algumas opiniões abalizadas e respeitáveis, resultou numa quantidade invulgar de clones precursores de uma nova era na qualidade das flores da Cattleya intermedia, entre elas a Marginata “Vera”, Punctata “Dia”, Orlata “Ennio Blum”,Tipo “Magestic”, Tipo “Giant”, Orlata “Resplendor” Marginata “Excelsior” e muitos outros que, também usados como matrizes, deram continuidade ao processo de melhoramento.


 Contudo, era conhecida, a partir dos anos 40 do século passado, a atividade predatória de alguns “exportadores” que, aproveitando-se da ausência de leis e controles mais severos, promoviam a colheita indiscriminada de milhares de exemplares que eram remetidas para o exterior em grandes quantidades a preços irrisórios. Eram regularmente publicados, em revistas especializadas, como o Bulletim da American Orchid Society e a alemã Die Orchiden, além de outras, anúncios de ofertas de 50, 100 ou mais orquídeas ou bromélias de diferentes espécies por valores irrisórios e sempre em moeda estrangeira. Apesar da pressão exercida por alguns segmentos do poder público e por colecionadores amadores e suas entidades associativas, que deram aos usuários daquela prática predatória o justo epíteto de “liquidantes da flora orquidácea brasileira”, as “exportações” foram mantidas por mais de três décadas, até que leis e controles mais rígidos acabaram por inibir a atividade.

 

  Variedades:

  Para um melhor entendimento do termo variedade toma-se necessário o conhecimento das diferenças entre variedade no interesse horticultural e no sentido científico.


  A variedade no aspecto científico baseia-se nas diferenças típicas permanentes de qualquer parte da planta, inclusive da flor, como por exemplo a variedade Aquinii da Cattleya intermedia.


  As diferenças de cor e os diversos desenhos dos coloridos exibidos pela flor, tais como orlas, margens, pintas, máculas, etc. não são considerados pela ciência mas constituem-se nos principais focos de interesse para os orquidófilos e compõe as características principais das denominadas variedades horticulturais.

  Entre esses dois sentidos do termo variedade existe um fator comum: as diferenças permanentes, ou seja, jamais poderão ser consideradas variedades, nem mesmo horticulturais, as formas diferentes decorrentes do modo de cultivo, de mudança de ambiente, de moléstias ou viroses, como por exemplo as flores marmoratas.


 A história das variedades horticulturais da Cattleya intermedia certamente teve seu início logo que os colecionadores se deram conta da extraordinária variabilidade de coloridos apresentada pela espécie, característica que aliada à grande durabilidade de suas flores, passou a ser um de seus principais atrativos. Foram os “intermediófilos” e as suas disputas por prêmios e prestígio nos certames da espécie que deram início ás discussões sobre as variedades hortícolas, algumas das quais perduram até os nossos dias, os geradores dos primeiros regulamentos e sua divisão em grupos para efeito de julgamento.


  No início pesou também o fator exclusividade, ou monopólio como se queira chamar, o que fazia com que todo o clone que apresentasse qualquer detalhe diferente, seja de tonalidade ou intensidade de colorido ou de um insignificante desenho diferente na forma do colorido, passasse a ser considerada pelo proprietário como uma nova variedade e, como tal, passível de vantajosos negócios, seja na troca ou na venda, além de assegurar’ a premiação enquanto durasse a exclusividade ou não fosse encontrada outra cultivar com as mesmas características.


 O curioso desse sistema, era o fato dessas plantas serem premiadas mesmo que não se tivesse outra com quem compará-la, já que o pluralismo num julgamento por comparação é essencial, algo tão estranho como se num concurso de beleza se apresentasse apenas uma candidata e que, por mais’ feia que fosse, levasse o título.


  Dessa busca por prêmios, reforçada pela espectativa da vantagem pecuniária, surgiu no início da segunda metade do século passado e rapidamente foi se generalizando, uma outra prática muito estranha e que passou a viciar os resultados dos julgamentos da espécie: o desbotoamento, que como todos sabem é a eliminação de um ou mais botões quando pequenos, por vezes ainda dentro da espata, com o auxílio de agulha ou alfinete, para que, os restantes três ou quatro resultem em flores maiores e com melhor apresentação. Essa prática, como todas as que se destinam a enganar, iniciou secretamente, praticada apenas por alguns espertos, sendo necessários alguns anos e várias exposições para ser descoberta. Afinal, deveria existir um milagre para que o mesmo clone, em mãos de orquidófilos diferentes, apresentasse florações tão diversas: uma repetidamente com três flores, maiores que o comum num arranjo impecável e as demais com seis ou sete flores pequenas e amontoadas, fenômeno que sempre garantia os primeiros lugares aos mesmos concorrentes.


 Um procedimento mais estranho que o próprio desbotoamento, foi o adotado após seu descobrimento e a generalização de seu uso: um julgamento paralelo para duas categorias diferentes das mesmas variedades, sendo um para desbotoadas e outro para não desbotoadas. A dificuldade para que a prática durasse mais do que alguns eventos era a de conseguir prêmios e juizes para julgarem e premiarem mais de sessenta ítens de uma só espécie em cada exposição.


  Embora houvesse se mostrado totalmente inviável o julgamento paralelo no passado, a história está prestes a se repetir, apenas de uma forma diferente pois não mais envolve desbotoamento e sim um fator que exigiria muito mais do que juizes com paciência ou prêmios em profissão: dependeria de complicados exames laboriatorais de contagem de cromossomos e determinação de poliploidia de centenas de clones com o fim de julgar e premiar, em separado, plantas normais e poliplóides. Se por um desses acasos absolutamente absurdos isso viesse a se concretizar, os universos orquidófilo e orquidológico teriam uma piada hilária com que se deliciar durante algum tempo.


 Voltando ao assunto desbotoadas e não desbotoadas, acredito que a última vez em que esse procedimento foi adotado foi a grande Exposição Estadual de Cachoeira do Sul, em 1963, realizada concomitantemente com a inauguração festiva do Orquidário Municipal daquela bela cidade, tendo como homenageado a marcante personalidade do Dr. Luyz de Mendonça e Silva, a liderança maior da orquidofilia nacional na época. Médico renomado, jornalista, professor, diretor e redator da revista ORQUIDEA, única editada no País sobre o assunto, desde 1951, Presidente da Federação Brasileira das Associações Orquidófilas, incansável aliciador e fundador da maioria das Sociedades, Núcleos, Associações e Círculos Orquidófilos brasileiros, além de ser considerado um dos mais respeitados conhecedores da flora orquidácea sul-americana.
Foi dele que escutamos as palavras a seguir transcritas, um pequeno trecho de seu extraordinário discurso de agradecimento ao tributo que lhe foi prestado, consagrando seu nome como patrono do Orquidário Municipal, palavras que nos marcaram para sempre como um rumo, uma orientação a seguir, no que se refere aos cuidados a tomar em termos de comedimento, bom senso e equilíbrio toda vez que estivermos diante dos excessos ditados pelo entusiasmo no exame das questões de regulamentos, julgamentos e estabelecimento de novas variedades.
Disse ele: “No vosso entusiasmo perfeitamente justificável por essa linda espécie é possível que tenha havido um exagero que o tempo certamente se incumbirá de corrigir através dos trabalhos coordenados a serem executados pela Federação. Esse exagero foi bastante útil pois permitiu dispensar uma atenção cada vez maior às variedades da intermedia e, consequentemente, maior proteção para os exemplares colhidos na mata, que vivem sob constante perigo de destruição iminente”.


 Como se pode perceber, já se constituía num motivo de preocupação para as pessoas com algum grau de responsabilidade na consolidação da orquidofilia nacional, a preservação de princípios como equilíbrio, seriedade, comedimento e credibilidade para os regulamentos, no geral comprometidos pela falta de limites na criação de variedades horticulturais a maioria baseados em variações mínimas e detalhes insignificantes, não só na Cattleya intermedia como também nas demais espécies.


 Como exercíamos na oportunidade a presidência da Federação Gaúcha de Orquidófilos (FGO), fundada em novembro do ano anterior, os conceitos emitidos pelo ilustre homenageado nos preocuparam profundamente, porque, ainda quase um neófito na orquidofilia, havíamos presidido a reunião do Conselho Técnico que aprovou o Regulamento e as Tabelas para efeito de julgamento em reunião realizada poucos meses antes em Santa Cruz do Sul.


 Aproveitando a oportunidade impar que se apresentava para um debate sério da questão, convocamos os Conselheiros Técnicos presentes na referida Exposição e na manhã seguinte realizamos, com a presença das plantas premiadas cujas variedades estavam entre as discutíveis, uma reunião memorável. Durante o debate, realizado em alto nível de respeito pelas opiniões de cada grupo representado, foram mostrados vários exemplos de excessos alheios as boas normas internacionais de nomenclatura para variedades horticulturais além de alguns hábitos, que embora considerados normais pela maioria dos presentes, não tem sua pratica aprovada em nenhuma exposição realizada fora do nosso Pais. No primeiro aspecto, o de excessos varietais, por exemplo, em qualquer exposição, seja a espécie ou pais que for, flores de coloração azul ou azulada, são denominadas e classificadas como caerulea (caerulescens se foram de tonalidade muito suave, quase concolores), sejam elas amethystinas, roxo-violeta ou ardósia. A mesma reserva ocorre com suave, suavissima, suave-café e lilacina, todas enquadráveis na classificação suave. Contudo, as maiores objeções fixavam-se sobre as variedades Multiforme, cujo grupo tem uma denominação aceita em todo o mundo, a Pseudo-tipo, ou seja, falsa-tipo e que inclue todas as formas de colorido típico que não possuem o labelo colorido por inteiro. Em matéria de exagero a Flammea-multiforme vai mais longe, visto que o fator flammea é o que define e não os eventuais desenhos do labelo. Outra curiosidade: Peloriada sem mácula, que pode apresentar maculas assimétricas nas pétalas. Outras variedades como Roxo-bispo, cuja denominação correta seria Púrpura-imperial, que é a cor do manto dos bispos e fartamente encontrado na L. purpurata mas não na C. intermedia, ou a Fresina, que na verdade é a cor do vinho clarete, uma tonalidade vinicolor um pouco mais clara que vinho tinto, assim como Bordô é mais escuro, mas continua sendo vinicolor.


  Contudo, o habito gaúcho que mais chocou o convidado e seus acompanhantes, todos figuras exponenciais da orquidofilia nacional foi, sem sombra de dúvidas o desbotoamento, pratica que colide frontalmente com as regras mais primárias da regulamentação internacional: a de que nenhuma planta exposta, seja para simples exibição ou competição, apresentará sinais de desbotoamento e, se tratando de uma espécie multiflora não serão aceitos para exposição ou julgamento, plantas com menos de três flores. Além disso o uso de estaca para a apresentação das flores, com qualquer tipo de amarra, exclue o exemplar do julgamento que, sendo por pontuação no resto do mundo, anula a apreciação de um dos itens mais importantes: a apresentação. Esta foi uma das razões que mais reclamações provocou, da parte de alguns orquidófilos, dentre eles a maioria gaúchos, que ignoravam esta regra e não tiveram sua plantas julgadas na Conferência Mundial de 1996, no Rio de Janeiro.


  As lições aprendidas no encontro, com o Dr. Luyz de Mendonça, ocorrido há quase meio século, fez com que nos alinhássemos, acredito que pelo resto da vida, no grupo dos orquidófilos que acredita firmemente que um bom regulamento não pode deixar margem a permanentes questionamentos sobre aquilo que deve regular e nem conter detalhes e minúcias difíceis de explicar e defender, sob pena de enveredar para o descrédito.


  Durante o restante daquela primeira gestão na presidência da FGO e durante as outras para as quais fomos chamados, sempre defendemos, seja nas reuniões do Conselho Técnico ou nas palestras que temos feito desde então, o comedimento, a cautela, a sobriedade e muita reflexão antes da criação de uma nova variedade.
Temos a certeza de que conseguimos, em inúmeras ocasiões frear os ímpetos, às vezes com muita lentidão e empenho, de sorte a eliminar alguns exageros e evitar o cometimento de outros, não todos pois há os que permanecem em vigor até nossos dias e aqueles que no futuro poderão vir a ser perpetrados. Nada obstante, acreditamos que os orquidófilos gaúchos,com seu elevado grau de maturidade e bom senso, ainda que por vezes silenciosos mas nunca apáticos, saberão conduzir com muita sabedoria um assunto de tamanha importância, mantendo os níveis de respeitabilidade dos nossos Regulamentos, os quais tem sido observados, ainda que algumas vezes com algumas contestações, por congêneres do País inteiro em seus julgamentos de Cattleya intermedia.


  Variedades - Cattleya intermedia R. Graham Var. Aquinii Lindl.: A história da Cattleya intermedia transcorreu sem novidades, comoções ou abalos durante meio século desde sua remessa para a Europa, até que o episódio mais importante envolvendo a espécie teve lugar, quando em Porto Alegre, capital dos gaúchos, por volta de 1874/75, não há um registro preciso, um cidadão de nome Francesco de Aquino, na época um observador da nossa flora, ao passar diante de uma residência com um belo jardim à frente, teve sua atenção voltada para um grande galho repleto de exemplares floridos de uma orquídea já sua conhecida, a Cattleya intermedia e entre essas uma planta com flores completamente diferentes da demais, parecendo ter três pétalas e três sépalas. Sua curiosidade instintiva não deve ter resistido à novidade o que o levou a verificar, junto ao morador, de nome Antônio J. da Silva Valadares (o qual, todos os anos durante a primavera adquiria de mateiros moradores das ilhas do Lago Guaíba, galhos cortados cobertos de orquídeas em flor com o que enfeitava seu jardim) da possibilidade de observá-la mais de perto e a seguir, convencido de tratar-se de uma nova espécie, solicitar-lhe um corte da planta, já que se tratava de uma touceira, no que acabou por ser generosamente atendido.


  O episódio é um exemplo claro de um fato casual que mudou a história de uma espécie inteira, pois não tivesse sido vista por olhos argutos dentro de alguns dias ou semanas, após murcharem as flores o galho inteiro seria descartado e substituído por um novo e o clone mais importante de toda uma espécie e quem sabe, e esta não é uma opinião nossa mas a de alguns dos nomes mais importantes da orquidologia mundial, o mais importante de todo o gênero Cattleya estaria perdido para sempre A seqüência dos acontecimentos seguintes só veio reforçar a tese do acaso feliz. Francisco de Aquino, na época uma espécie de correspondente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, cujo Diretor era o renomado botânico e naturalista Dr. João Barbosa Rodrigues, decidiu por enviar-lhe um corte da planta para que fosse corretamente classificada, porque entendia que seus conhecimentos taxionômicos não eram suficientes para a empreitada, garantindo com esse gesto que no caso de vir acontecer alguma coisa com a sua planta, havia outra em mãos muito competentes para assegurar sua sobrevivência.
Na sua floração seguinte, no Jardim Botânico, o Dr. Barbosa Rodrigues providenciou na sua descrição e respectivas gravuras, classificando-a preliminarmente como Cattleya Aquinii, numa clara homenagem ao seu amigo e por entender tratar-se de espécie distinta da intermedia. Alguns anos mais tarde, após circunstanciados exames, O Dr. Barbosa Rodrigues enviou o material, incluindo gravuras, exicatas, descrições e corte da planta para a Inglaterra a fim de certificar-se do acerto de sua classificação.


 No ano de 1900, o Gardener Chronicle publicava a gravura e a descrição enviadas por Barbosa Rodrigues, causando grande alvoroço no mundo orquidófilo europeu. Entrementes, acurados exames do material pelas autoridades taxionômicas, levaram Lindley a classificá-la como Cattleya intermedia R. Graham Var. Aquinii Lindl. Dois anos depois, em 1902, em plena primavera inglesa, florescia pela primeira vez fora do Brasil, apresentada por Mr. Kramer, e em 1904, cerca de trinta anos após ter sido encontrada, Mt Trevor Lawrence, orquidófilo amador de Londres e um dos mais conceituados colecionadores do Reino Unido exibiu-a numa florada magestosa, acabando por conquistar em definitivo a admiração dos colecionadores europeus.


 O registro de primeiro híbrido com a variedade Aquinii levou alguns anos devido à importância que envolvia a posse exclusiva de determinadas plantas. Somente em 1922 afirma Mrs. J. Veitch & Sons registrou seu primeiro híbrido dela, combinada com a C. Mendelii, que foi denominado C. Suavior Var. Aquinii, já que a mesma firma, em 1887, portanto 35 anos antes, havia feito e registrado o híbrido de Cattleya intermedia comum com a C. Mendelii com o nome da C. Suavior. A Cattleya Suavior var. Aquinii produziu uma boa percentagem de híbridos flameados os quais vieram a tornar-se, junto com os flameados obtidos de outras combinações feitas posteriormente as precursoras da quase totalidade dos híbridos flameados de nossos dias.

 

Mural de recados .::: Associação da Cattleya intermedia :::. Orquídeas do Brasil
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  Mensagens do visitante:



PARABÉNS POR ESTE BELO TRABALHO DE DIVULGAÇÃO
      Enviado por: Maria Rosa Meneghello   em:  2011-11-19
 


Los felicito,muy buena pagina que viene a llenar un lugar que no habia nada parecido
      Enviado por: Miguel Pelossi   em:  2011-10-11
 


Parabéns pela página, pela ação preservacionista e zelo por tal espécie. tenho um pequeno cultivo de intermédia aqui no nordeste, com boa floração.Dentre todas as espécies de orquidaceas nenhuma outra me cativa tanto.
      Enviado por: Frei Leonardo   em:  2011-09-10
 


parabens pelo trabalho, de preservar o cultivo das cattleya intermedia como planta nativa da região, pois é uma planta muito bela!
      Enviado por: paulo severino malzoni   em:  2011-08-27
 


QUANTO MAIS VEJO ESTAS INTERMEDIAS MAIS GOSTO DELAS ..RSRS
      Enviado por: SERGIO COMES   em:  2011-08-01
 


Boa tarde gosto muito de intermedias de quem posso comprar intermedias de boa qualidade. De preferecia seedling, podem me ajudar fico muito agradecido.
      Enviado por: luiz carlos rodrigues   em:  2011-07-30
 


PARABÉNS POR ESTE BELO TRABALHO DE DIVULGAÇÃO , CARREGO NO SANGUE E NA LEMBRANÇA A IMAGEM DE MEU PAI ,ENNIO BLUMM, GRANDE CULTIVADOR DESTA ESPECIE.
ENIO ELISEU BLUMM
      Enviado por: ENUI E. BLUMM   em:  2010-10-02
 


Parabéns!!
Realmente esta página dedicada a catleya intermédia tem seu valor inestimável, contribuindo para a divulgação desta orquidácea e sua preservação!
Alberto Daniel Roscinski.
Brusque-SC
      Enviado por: alberto daniel roscinski   em:  2010-09-06
 


Parabéns por este trabalho.É disto que precisamos.Também Blumenau-SC tem na exposição de setembro como enfoque principal a Cattleya intermedia. Sou presidente do Circulo de Orquidofilos de Blumenau. Mais uma vez, parabens
      Enviado por: Edevaldo Barbetta   em:  2010-06-04
 


Meus muitissimos Parabéns. Iniciativas como esta é que criarão os Orquidófilos do futuro, os verdadeiros amantes da Natureza.
      Enviado por: Sergio Comes   em:  2010-05-17
 

 
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